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Como equilibrar a vida e ser mais feliz!

20-Mar-2017

 

Enquanto a figura tradicional da Roda da Vida, ferramenta popular entre coaches, engloba doze áreas estratégicas às quais devemos nos dedicar igualmente para sermos mais felizes, o Instituto Gallup sugere há anos, no entanto, que seriam apenas cinco os fatores essenciais de nosso bem-estar. A saber, seriam os setores profissional, de finanças, saúde, vida social – englobando família e relacionamentos – e vida em comunidade – no sentido de nossas contribuições à sociedade. Um score elevado de satisfação com cada um deles, mas sobretudo equilibrado entre todos, levaria a uma maior percepção de bem-estar, segundo estudo global da entidade.

 

A pesquisa mobilizou um séquito de cientistas. Líderes proeminentes do levantamento, Tom Rath e Jim Harter viram nele uma oportunidade de adaptar a ferramenta elementar dos coaches e patentear uma nova Roda, que desta vez elenca os cinco fatores essenciais de bem-estar. Para que essa nova ferramenta fosse validada, um longo caminho foi percorrido, resultando no livro O fator bem-estar (Rath & Harter, Saraiva, 2011), cujo original, em inglês, é vendido junto ao tal assessment adaptado, em formato eletrônico.

Em primeiro lugar, foi preciso verificar, em mais de cinquenta anos de estudos da instituição, um método de pesquisa que funcionasse em diversas culturas, situações e idiomas, levando às conclusões mais contundentes sobre o tema. Estabelecida a metodologia, entrevistas realizadas em mais de 150 países (uma amostra correspondente a 98% da população mundial) geraram respostas que levaram, estatisticamente, à definição dos cinco fatores estratégicos de bem-estar. Segundo Rath e Harter, trata-se de elementos importantes para as pessoas em todas as situações estudadas e de “setores da vida sobre os quais podemos fazer algo”. O pragmatismo científico norte-americano é profícuo em produzir diretrizes de mudanças em nossas vidas.

 

O que se evidenciou, inicialmente (e aqui cabe ressaltar que, além de entrevistas, o Instituto utilizou, em muitos casos, certos marcadores fisiológicos para avaliar o nível de bem-estar da população estudada), foi que 60% das pessoas têm ido bem em pelo menos uma das áreas estratégicas de bem-estar, enquanto apenas 7% têm prosperado em todas as cinco. Tal disparidade teria origem exatamente na atenção desbalanceada que esses setores recebem da maioria das pessoas, ficando o maior nível de bem-estar entre os 7% prósperos em todos os fatores estratégicos.

 

Mas como inverter esse panorama? Ninguém, nem mesmo esses 7% com a vida equilibrada, nem Rath nem Harter consideram essa uma tarefa fácil. O equilíbrio exige esforço, disciplina, labilidade emocional, assim como Seligman propõe a respeito da própria felicidade: trata-se de algo pelo qual se deve lutar! Um bom início, no entanto, pode ser trilhado a partir das pistas de sucesso encontradas em cada área, revelam os pesquisadores. A armadilha estaria em mudar constantemente o foco de uma área para outra, a cada momento crítico que surge em uma delas. No quesito bem-estar, diferente de outros projetos em que nos envolvemos, não há gestão por prioridades. Todos os fatores que levam a ele são importantes e estão interligados, concluem Rath e Harter.

 

Ponto a ponto


Na área do bem-estar profissional, de acordo com as conclusões do Gallup, as pessoas mais prósperas são as que têm um objetivo profundo na vida, amam o que fazem todos os dias e trabalham sob lideranças inspiradoras. Outro achado da pesquisa é que esses indivíduos trabalham menos do que se pensa e curtem mais a vida. Apenas para demonstrar que as áreas estratégicas de bem-estar estão interligadas, vale mencionar que a presença de um “melhor amigo” no trabalho é fator de mais produtividade e mais bem-estar profissional. Aí já entramos na seara do bem-estar social.

 

Números e curiosidades do bem-estar profissional

– Apenas 19% de mais de 10 mil entrevistados sobre o tema responderam sim à pergunta “Você gosta do que faz todos os dias?”.

– Nas atualizações do levantamento global sobre bem-estar do Gallup, a vida profissional aparece sempre com os scores mais baixos de satisfação.

– O chefe é a companhia menos apreciada.

– Para além de oito horas de trabalho, ninguém estaria livre de stress e exaustão. A única emoção cuja melhora foi verificada para além desse período foi o orgulho.

Fonte: O fator bem-estar/ Gallup® Global Wellbeing

 

Mais bem-estar social, por sua vez, está relacionado a mais investimento em seus relacionamentos sociais. Entre as pessoas mais prósperas nesse quesito verificou-se uma dedicação de aproximadamente seis horas diárias a esses relacionamentos, marcados, também, por constantes encontros e viagens que reforçam ainda mais as conexões.

 

Um dado interessante é que suas chances de felicidade aumentam em 10% se um amigo de sua rede estiver feliz. (Vale lembrar que um estudo de Harvard avaliou que o inverso também é válido, ainda que em proporções menores. Amigos infelizes aumentam a probabilidade de sua infelicidade em 7%.)

A mesma relação é encontrada entre a saúde alheia e a sua. Provavelmente porque certos hábitos alimentares e de exercícios são influenciados mutuamente entre você e seu amigo. E aí já entramos na área do bem-estar físico como uma variável do bem-estar global.

 

Pessoas com bem-estar físico elevado dormem o suficiente para acordarem descansadas (geralmente sete a oito horas por noite) e praticam exercícios diariamente. Normalmente, fazem boas escolhas alimentares e não deixam a saúde para depois. Mesmo que sua genética trabalhe contra seu organismo, uma boa dieta e hábitos saudáveis podem mudar, por exemplo, a expressão de genes ligados a inflamações crônicas e alergias.

 

Ainda sobre a relação entre bem-estar social e físico, vale mencionar que a obesidade também é influenciada pelo seu círculo de amigos. Se um deles se tornar obeso, suas chances de engordar superam 50% (mais do que se um irmão ou irmã engordarem, ou se o seu cônjuge se tornar obeso, o que aumentam a taxa, respectivamente, em apenas 40% e 37%).

 

Mudando o enfoque para o campo econômico, já se verificou que a satisfação de necessidades básicas das populações nesse sentido elevam o seu bem-estar geral, ficando os países mais ricos em vantagem nesse sentido. No entanto o levantamento do Gallup logo minimizou essa relação. No estudo, Costa-Rica, um país em desenvolvimento, aparece com um nível de bem-estar idêntico ao da Nova Zelândia, e com percepção diária de bem-estar maior do que a desse país. Suas taxas também superam a da maioria dos países europeus, como os mitos de bem-estar social da Suécia e Suíça, por exemplo, perdendo apenas para a Dinamarca. O Brasil, por sua vez, está em 36º lugar nesse ranking de bem-estar, apresentando, também, percepção de prosperidade diária nesse quesito maior que a encontrada em países como Bélgica, Itália e Alemanha. (Apenas mais uma prova de que bem-estar depende muito mais da inter-relação entre os cinco fatores do que do sucesso em um ou outro deles…)

 

Se o assunto é dinheiro, para contribuir no score geral, o bem-estar financeiro deve ser incrementado por hábitos que proporcionem segurança financeira, tais como gastos equivalentes ao padrão de vida possível e investimentos constantes. Pessoas prósperas nesse quesito não vivenciam o stress diário causado por dívidas e gastam dinheiro com experiências e outras pessoas e não apenas com bens materiais e consigo mesmas.

 

Além dessa evidência de que o bem-estar financeiro também pode ser influenciado por nossa necessidade de conexão, a percepção de nossa satisfação financeira pode ser afetada pelo nosso círculo social, por meio das comparações que fazemos entre os nossos bens e os dos colegas. Em um estudo publicado no Journal of Personality and Social Psychology, quando questionados sobre se preferiam uma renda de US$ 50 mil/ano, enquanto as pessoas ao seu redor ganhariam US$ 25 mil/ano, ou uma renda de US$ 100 mil/ano, enquanto colegas ganhariam US$ 200 mil/ano, a maioria dos voluntários dessa pesquisa escolheu a menor renda, pois isso significaria ganhar o dobro de seus convivas – eis um setor em que a natureza competitiva do ser humano se evidencia.

 

Impacto do bem-estar financeiro

– A percepção de que temos mais dinheiro do que o suficiente para fazer o que queremos tem uma influência três vezes maior do que o impacto de nossa renda em nosso score geral de bem-estar.

Fonte: O fator bem-estar

 

Por último, mas não menos importante, encontra-se o bem-estar na comunidade, o que Rath e Harter consideram “o diferencial entre uma vida boa e uma ótima”. Pessoas com bem-estar elevado na comunidade encontram maneiras de contribuir com ela segundo suas paixões e os pontos fortes. Em um sistema de retroalimentação, elas se sentem seguras e satisfeitas com o rumo seguido por suas comunidades e também influenciam tais fatores com sua contribuição.

 

Para concluir, Harter afirma que, postas todas essas pistas de sucesso, uma solução global de bem-estar estaria na promoção conjunta entre indivíduos e instituições dos fatores essenciais enumerados. “Os indivíduos podem definir metas, individualizar suas ações e acompanhar suas melhorias. Mas as instituições podem fornecer recursos, definir padrões positivos que incentivam as pessoas a fazer o que é do seu interesse, além de definir uma expectativa social por meio de lideranças”, disse o pesquisador, em entrevista à autora deste artigo, por ocasião de outra reportagem.

 

Harter e Rath, e toda a equipe do Gallup, talvez tenham se esquecido de estabelecer e pesquisar, em âmbito global, um fator de “bem-estar espiritual”, área que certamente perpassa todas as outras, definindo valores que regem nossas relações sociais, familiares e com o dinheiro. Setor que muito tem a ver com a forma como nos relacionamos com a saúde e a natureza, com nossa vida em comunidade, que desde os primórdios da civilização era regida pelo desconhecido, sagrado e simbólico, que mais tarde levou o nome de religioso ou espiritual. Quem sabe, talvez, em um próximo levantamento… 

 

Para saber mais:

RATH, T.; HARTER, J. O fator bem-estar: Os cinco elementos essenciais para uma vida profissional de qualidade. São Paulo: Saraiva, 2011.

Gallup Global Welbeing, disponível em: <http://www.gallup.com/poll/126965/gallup-global-wellbeing.aspx>. Acesso em: 18 out. 2016.

SOLNICK, S.J.; HEMENAY, D. “Is more always better? A survey on positional concerns”. Journal of Economic Behavior & Organization, 37(3), p. 373-383, 1998.

 

(Artigo originalmente publicado em português e inglês na ed. 5 da revista eletrônica Make It Positive – MIP Mag)

 

 

 

 

 

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